Capítulo 5
Meu Professor Fantasma
Venho escrever para compartilhar minha indignação, já que não posso sair por aí gritando.
Hoje tivemos aula de História — e eu cheguei atrasada. A culpa foi da Trix. Ela comeu abóbora demais no café da manhã e passou mal.
Aliás, eu não entendo por que os bruxos são OBCECADOS por abóbora.Tudo naquela escola tem abóbora. Tudo.
Suco de abóbora.
Bolo de abóbora.
MILKSHAKE DE ABÓBORA.
Será que eles nunca ouviram falar de chocolate?
Enfim, avisei o papai e, até ele vir buscá-la, tive que ficar de olho nela. Como não podia perder aula, levei minha irmã comigo para a aula de História e Curiosidades de Lúmina.
— Onde eu vou sentar? — ela perguntou, apertando a barriga com uma careta.
— Ali atrás. — apontei para uma cadeira vazia no fundo da sala. — E tenta não chamar atenção.
— E se eu vomitar?
Ela estava tão pálida que eu podia jurar que sua pele estava começando a ficar verde.
— Nem pense nisso, Trix. O papai já está vindo te buscar.
— Isso não responde à pergunta.
— Então mira longe de mim. — respondi empurrando seu ombro e ela caminhou até o fundo da sala.
Acho que, além do professor, ninguém percebeu que ela estava ali.
Quando entrei na sala, andando na ponta dos pés para não chamar atenção, uma luz azul roubou completamente o meu foco. Em cima da mesa havia uma enorme bola de cristal. Não era uma bola de cristal comum, ela brilhava tanto que parecia ter capturado um pedaço da lua.
O Professor Aurélio já tinha começado a aula, mas, no instante em que a luz se intensificou, ele parou de falar. Ficou encarando a bola por alguns segundos, hipnotizado, até que balançou a cabeça de um lado para o outro e continuou falando.
Foi então que olhei para ele e… congelei. O que foi estranho porque ele também pareceu congelar por um segundo quando me viu.
Ele era um fantasma.
Sim.
Você leu certo: um fantasma.
Transparente, levemente desfocado, como se estivesse ali, mas não completamente.
Por mais que eu já tenha morado em praticamente todos os reinos do país, eu nunca tinha visto um fantasma antes. Eles simplesmente não saem do Vale dos Ecos. São mais raros que vampiros mesmo que o reino deles seja o mais populoso de todos — afinal, todo mundo acaba indo parar lá um dia. Ou quase todos. Papai disse que alguns vão “para outro lugar” que ninguém sabe onde é.
Ainda assim, ninguém nunca vê um fantasma fora de lá. Papai contou que eles precisam de autorização do Rei dos Bruxos para sair.
E, acredite, se os bruxos não gostam de vampiros, eles odeiam fantasmas. O que torna tudo ainda mais curioso porque, claramente alguém abriu uma exceção.
Ele não usava apostila e nem escrevia na lousa, o que faz sentido já que não conseguiria pegar nenhum dos objetos. Pediu para os alunos abrirem o livro e leu o texto em voz alta.
Meu coração quase parou de bater quando olhei o título da aula.
Criatura instável? Alto nível de perigo?
Ele estava falando sério?
Um garoto no fundo da sala com cabelos brancos e uma mecha vermelha na frente levantou as mãos e disse:
— Professor Aurélio! Como eles sabem que essas criaturas são perigosas?
Professor Aurélio abriu um grande sorriso.
— Boa pergunta, rapazinho!
Ele começou a flutuar pela sala, com as mãos para trás.
— Porque já aconteceu antes.
A sala ficou em silêncio e Trix me olhou com olhos arregalados do outro lado da sala.
— Há muitos anos, antes das regras existirem, algumas espécies decidiram ignorar os avisos. No começo, tudo parecia normal… até esses seres começaram a demonstrar muita habilidade. Então, o rei dos bruxos tomou a frente e ordenou que fossem expulsas de Velmora. Se não fosse sua coragem, não sabemos o que teria acontecido com o reino.
— Mas eles fizeram algo perigoso? — o garoto perguntou.
E, ainda bem que ele perguntou, porque eu também queria saber.
O professor inclinou a cabeça.
— Ninguém estava disposto a descobrir, meu rapaz. — o professor ainda sorria.
O garoto se remexeu na cadeira enquanto a mão permanecia levantada.
— Mas isso não é injusto? Tipo, se eles não fizeram nada.
Alguns alunos começaram a rir e o garoto se encolheu por um instante. E foi aí que o Professor respondeu algo que não sai da minha cabeça:
— Quando seu inimigo constrói uma arma capaz de destruir um reino inteiro… — disse ele — Você a destrói antes que ela possa ser usada.
Armas?
Eram pessoas. Pessoas como euzinha.
Ele fez uma pequena pausa.
— A união entre espécies é um crime grave e qualquer suspeita deve ser reportada à guarda real. — Ele flutuou pela sala enquanto atravessava os objetos como fumaça — Ela nos protege, evitando a contaminação entre espécies.
Contaminação? Eu lá tenho cara de doença?!
Aquilo fez meu café da manhã querer voltar na mesma hora.
Meus dedos se fecharam sozinhos sobre a mesa e pela primeira vez eu achei que ia morder alguém. Já que eu era um monstro, talvez devesse dar a eles um motivo pra me chamar de criatura.
Comentários
- Júlia3 de jul. de 2026
Acabei de ler agorinha, e eu AMEIIII. Mal posso esperar para os próximos capítulos!
- Alina4 de jul. de 2026
Ansiosa pelos próximos capítulos!
- Hello Kitty6 de jul. de 2026
Ameiiii!Estou louco para os próximos capítulos e pelo livro físico! ⁽⁽ଘ( ˊωˋ )ଓ⁾⁾
- `•° amity `•°7 de jul. de 2026
Esse rei ai muito ego pouca aura
- Isa 🍥17 de jul. de 2026
Se eu fosse a Ravenna, já teria mordido todo mundo ai