Capítulo 12
Vi um Bruxo discutir com uma Planta...
21 de Novembro
Existe uma regra muito simples na minha vida: quanto mais normal o dia começa…mais catastrófico ele termina.
Kai teve a brilhante ideia de fazermos um Recuperador. Eu já tinha ouvido falar desses e, não são exatamente simples de fazer. Basicamente, é um ímã de objetos perdidos. Ele encontra coisas que pertencem a você… e traz de volta quando você perde. Ou, pelo menos, essa é a teoria.
Passamos horas tentando calibrar o aparelho. O problema é que ele depende de um feitiço que Kai ainda não domina muito bem com a varinha. Mesmo assim, decidimos testar.
No exato momento em que ativamos o Recuperador, Draven Cabeça-de-Bagre estava passando pelo corredor. E, por algum motivo — que eu prefiro não analisar muito profundamente — a máquina decidiu que as calças dele eram “objetos perdidos”.
Resultado: As calças foram puxadas direto até o joelho.
Draven ficou furioso. Mas, sendo completamente sincera? Valeu muito a pena!
De tarde, fomos até a casa do Kai pedir ajuda ao pai dele para consertar o Recuperador.
Eu nunca tinha ido à casa de um bruxo antes. A casa era cheia de janelas e dentro haviam todo tipo de objetos que eu não fazia ideia de para que serviam. Quando entrei na cozinha e vi a louça se limpando sozinha, quase desejei ser uma bruxa. Mamãe ia amar esse feitiço.
Confesso que estava um pouco nervosa, mas a família dele é surpreendentemente legal!
— Ah, meu querido! Chegou cedo! — a mãe dele era gorducha de cabelos vermelhos e usava um avental rosa.
Ela cumprimentou a gente com um beliscão na bochecha e continuou:
— Seu pai está lá fora. Está caçando rabanetes raivosos pro jantar.
Quando saímos, encontramos um senhor alto de cabelos brancos como os de Kai tendo uma discussão acalorada com um rabanete bem mal-humorado.
— Eu não tenho medo de você! — dizia o senhor, apontando o dedo.
O rabanete respondeu tentando dar um soco.
O quintal do Kai era cheio de plantas que eu nunca tinha visto:
O Sr. Verdasco pegou o rabanete pelas folhas e o enfiou na sacola, mas ele ainda se remexia como um gato briguento e soltava uma série de xingamentos.
— Temperamental… — comentou, tentando conter a sacola. — Eles ficam assim quando crescem ouvindo cenouras pessimistas…
Kai suspirou, claramente acostumado.
— Pai, a gente precisa de ajuda com um Recuperador.
— Claro, filho. — ele acenou para nós. — Só deixa eu terminar a colheita. Uma vez um nabo me processou… e olha, não queremos isso de novo, queremos?
Eu sorri, meio sem saber se ele estava brincando.
Acabamos ficando para o jantar, e logo os irmãos mais velhos de Kai chegaram. Kenai e Kairo. Eles pareciam gêmeos — mesma altura, mesmo sorriso… mesma fome. Só consegui diferenciar os dois pelo cabelo. Kenai era ruivo e Kairo tinha cabelos brancos.
Chegaram devorando tudo como se não comessem há dias. A pizza de rabanete estava, estranhamente, deliciosa, e a torta de mirtilos cantantes… bem, digamos que me fez arrotar um dó perfeitamente afinado.
Depois do jantar, o Sr. Verdasco nos ajudou com o Recuperador. Ele disse que a frequência mágica estava toda desregulada — “como tentar sintonizar um sapo num rádio”, seja lá o que isso signifique — e que agora deveria funcionar.
No fim da noite, a Sra. Verdasco nos mandou embora com uma sacola cheia de comida e frutas do quintal. Ela disse que adoraria conhecer nossa família. Eu só sorri, sabendo que isso nunca poderia acontecer.
“Bruxos podem ser legais.”, nem acreditei quando pensei isso. Mas eu disse que o dia estava bom demais pra ser verdade, não disse?
Quando fui ao refeitório pegar meu lanche, Draven estava sentado na frente. Assim que me viu, me mediu de cima a baixo, com aquele sorriso torto que sempre vinha antes de algum plano maquiavélico.
— Vai pro seu lugar, criatura.
O empurrão veio antes que eu pudesse reagir. Eu tropecei, quase caindo de cara no chão do refeitório. Por um segundo, ninguém fez nada. Ninguém falou nada.
Alho ficou furioso. Saltou do meu ombro e começou a dar cabeçadas em Draven, que recuou xingando, tentando afastá-lo.
E, enquanto eu me levantava, com o coração disparado e as mãos tremendo… eu entendi. Talvez alguns bruxos fossem legais. Mas outros, faziam questão de lembrar exatamente qual era o meu lugar.
Comentários
- Júlia17 de jul. de 2026
Não sei porque mais achei que o draven seria irmão do kai, eles sao meio parecidos de aparência🤔
- Andre24 de jul. de 2026
REAL
- Ivy18 de jul. de 2026
Que raiva do draven!!